Sombras de mim

Faço-me poeta e não me reconheço,
canto suavemente versos e rimas,
escrevo livremente dissabores,
face dupla, componho,
e outra face me disponho.
Esqueço a mulher que, de mim erustida,
com palavras vem torturar essa dor sentida
atônitas, não sabem ser escritas,
apenas iludidas!
Sim,
os desamores que escrevo, não são meus.
Os amores são sonhos para quem lê,
até as transas de vogais e consoantes
são fingidos amantes.
Então fico assim
á beira do precipício,
á mercê do perigo,
sem poder encontrar comigo
nem mesmo fugir de mim!

Do Melhor
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