Mandato de prisão

Prendi a poesia
culpada por
levar minha menta na contra-mão.
Seu feitiço transfigurou minha visão.
Entre ecos
de versos em ebulição,
roubou meu coração.

Prendi a poesia
culpada por
levar minha menta na contra-mão.
Seu feitiço transfigurou minha visão.
Entre ecos
de versos em ebulição,
roubou meu coração.

Empolgada em meu ato juvenil
vim implorar
sobre os detritos desta alegria
a voz da poesia!
A bordo destas palavras
sobre versos entalados,
tentei decifrar
o ato poetizar
indecifrável!
Então por que me és tão sutil?
Vem adocicar minha memória
com rimas ilusórias.

A vontade que tenho
fulmina esse vazio.
Mergulhada em dúvidas,
tentando me desvendar,
no mistério que me prende ao seu olhar.
Sou o resumo
do pavor do alento:
pedaços de sentimentos
medonhos,
sentinelas efêmeras
de inexoráveis sonhos.
Sim, tenho vontade,
de somar meus verbos
neste vazio
que arde em incertezas.
Ao sentir doce fragrância,
perco-me em lágrimas.
Quem me guia
na luz do teu olhar?

Possuo a vida
presa á respiração.
Aspiro e expiro
versos em ebulição.
Vago pela mente,
fragmento coração:
perco fôlego nas rimas
compondo em solidão.
Em estado de euforia
vejo incógnitas verbais
e os ritmos solenizam
a dança das vogais.
A poesia,
vibrante a borbulhar,
faz meus dedos
mansamente palpitar.

Minha vida é como um rio
a correr
entre margens calcinadas,
passando por bordas apertadas.
Á vida á correr
Sol frio e noites solitárias
pairando sobre rio
por fora cheio de beleza
demonstrando forças em sua correnteza.
Mas por dentro tão desértico
afogado em trsitezas,
escondendo em seu fundo
suas pedras,
que de lágrimas tristes
tornaram-se harpas que nunca quebram!
Ora alarga-se
Ora esquiva-se.
Mas sempre escuro
pálido e mudo,
escondendo dentro de si
seu pequeno mundo.

Na imensidão do meu pensar
á deriva do mar,
acaricia-me o coração.
Mexe e remexe
com minha emoção!
Afaga-me a memória
afoga-me em alegrias ilusórias.
No vai e vem das águas
lava minhas mágoas.
Balança-me a vida,
entrego-me á maresia.
Ao vento abandono
sentimentos que abono.
Rugindo sobre a volúpia do mar
amores que não quis amar,
perpetuam minha dor
em gotículas... chuva de amor
que em pingos refresca minh'alma,
na poesia encontro minha calma.
Assim meus sentimentos vão dançando
sobre as ondas
ininterruptamente,
na imensidão da minha mente!

Quando pronuncio
teu doce nome,
do meu grande sofrimento,
vou-me acalmando.
Chamo-te em silêncio.
Pois sinto
um grande vazio
da dura auscência
de rua imagem,
afagando-me
com teu olhar sereno.

Faço-me poeta e não me reconheço,
canto suavemente versos e rimas,
escrevo livremente dissabores,
face dupla, componho,
e outra face me disponho.
Esqueço a mulher que, de mim erustida,
com palavras vem torturar essa dor sentida
atônitas, não sabem ser escritas,
apenas iludidas!
Sim,
os desamores que escrevo, não são meus.
Os amores são sonhos para quem lê,
até as transas de vogais e consoantes
são fingidos amantes.
Então fico assim
á beira do precipício,
á mercê do perigo,
sem poder encontrar comigo
nem mesmo fugir de mim!

O silêncio
machuca
sem brotar feridas.
As palavras...
Tortura
de falsas alegrias.
Ah... que vida monótona
sobre lápide fria.
Silêncio brando brota
tamanha melancolia!
Vozes e resmungos
sussurram minhas lágrimas.
Deste apelo mais profundo
enterrei minha mágoa!

Poesia metálica,
fria, pálida,
doentia, medonha,
velha e tristonha!
Poesia cortante,
dura, mutante,
aleijada, mutilada,
morta e enterrada!
Sangram...
na primeira estrofe.
Choram...
até a última estrofe.
Poesia trágica,
um ato cirúrgico.
Paravras hemorrágicas
sofrendo distúrbios.
Fedem a
flores de velório.
Enchem...
meu horizonte corpóreo!